Ciência e Literatura:
Desconstruindo Estereótipos de Gênero e Ampliando Representações na Ciência
Palavras-chave:
mulheres na ciência, literatura e ciência, representações de gênero, educação científicaResumo
Este estudo analisou a representação de mulheres cientistas na literatura e narrativas com interface com a ciência, considerando o papel dessas narrativas na construção de imaginários sociais sobre a ciência e na reprodução ou contestação de estereótipos de gênero. Partiu-se da compreensão de que a literatura influencia percepções sobre quem pode ocupar espaços científicos, historicamente marcados pelo predomínio masculino. O objetivo foi investigar de que maneira essas obras representaram cientistas mulheres, identificando padrões narrativos, mudanças ao longo do tempo e possíveis impactos na valorização da presença feminina na ciência. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, de natureza exploratória e interpretativa, fundamentada na Análise de Conteúdo de um corpus composto por dez obras: Frankenstein, Contato, Radioativas, Código Da Vinci, Símbolo Perdido, Inferno, Uma questão de química, Amor, teoricamente, A hipótese do amor e O pintor de memórias. Foram examinados aspectos como papéis narrativos, traços de personalidade e relações de poder das personagens cientistas. Os resultados evidenciaram um cenário heterogêneo, no qual persistem representações estereotipadas, associadas a papéis secundários ou a características tradicionalmente femininas, mas também emergem personagens mais complexas, autônomas e protagonistas, sobretudo em obras contemporâneas. Identificou-se uma linha evolutiva na literatura que se desloca da ausência feminina na ciência à sua centralidade narrativa, indicando mudanças no imaginário científico, podendo assim contribuir para ampliar modelos de cientistas e fortalecer a equidade no campo científico.