Rupturas do Vestir
A Moda Como Contestação do Estado Novo Português
Palavras-chave:
moda, resistência, A Maçã, Estado Novo português, Ana SalazarResumo
incidindo também sobre os modos de vestir e de se expressar, especialmente no corpo feminino. Nesse contexto, a moda pode ser compreendida como um espaço de tensão entre regulação e possibilidade de expressão. O presente trabalho tem como objetivo investigar a boutique “A Maçã”, fundada por Ana Salazar em Lisboa em 1972, como um espaço de resistência cultural no salazarismo tardio. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter exploratório e interpretativo, fundamentada em levantamento bibliográfico e análise documental de duas reportagens jornalísticas portuguesas, examinadas por meio da Análise de Conteúdo. A partir desse processo, foram identificadas categorias como identidade, resistência, inovação estética e corpo, que permitiram compreender as tensões presentes nos discursos analisados. Os resultados evidenciam que, embora o vestuário operasse como instrumento de regulação social, pequenas transgressões já configuravam formas de resistência simbólica. Na boutique, essa lógica se intensifica, estruturando-se como prática criativa e espaço de experimentação. A circulação de referências internacionais e a valorização de uma estética jovem contribuíram para reposicionar o vestir como forma de expressão, antecipando transformações que se consolidariam com a Revolução dos Cravos. Assim, a moda se revela como linguagem capaz de produzir subjetividades e tensionar normas, atuando como mediadora entre repressão e liberdade no período analisado.